O dono trouxe o número oficial da própria plataforma — visitas, carrinhos e checkout de verdade — para conferir se os três problemas apontados pelo pixel do anúncio se sustentam. A resposta não é um “sim” nem um “não”: são três vereditos diferentes, e uma correção honesta de um número que a estimativa anterior deixou conservador demais.
A loja confirma: de cada 100 pessoas que abrem a página de um produto, só 5,6 colocam ele na cestinha — abaixo da faixa saudável de 8% a 12%.
A correção mais importante: 74,1% de quem cria carrinho chega na fila do caixa — acima até do teto esperado. Esse gargalo só existe dentro da campanha paga (29,5%).
De quem entra na fila, 39,02% realmente paga — abaixo do esperado, mas o buraco é bem menor do que os 18,4% que a estimativa anterior apontava.
O mesmo período dos relatórios anteriores, agora medido pela loja — todas as fontes de tráfego juntas. Cada degrau é um fato contado (uma visita, um carrinho, um pagamento), não um evento estimado pelo pixel.
Os dois pontos que merecem o olho: o afunilamento na cestinha (coral, o degrau mais fechado) e a fila do caixa que paga (âmbar, o degrau final).
Receita do período: R$11.981,03 em 48 vendas · ticket médio R$249,60 · cerca de 3,7 pedidos por dia.
A plataforma abre o checkout em cinco telas internas. Aqui dá pra ver o degrau exato onde o cliente, já de carteira na mão, desiste. De 123 que entram, 48 saem pagos.
A leitura vale por dois motivos: mostra que a maior perda não está no começo do caixa, mas no meio — quando o cliente sai da tela de entrega para a tela de pagamento; e isola 10 pedidos que chegaram a ser criados e nunca foram pagos, um alvo pequeno e concreto de recuperação.
O cliente chegou a confirmar o pedido, mas o pagamento não se completou. O padrão típico dessa etapa é Pix que expira antes do cliente pagar ou boleto não quitado — é hipótese, não fato confirmado nesta análise, mas é o alvo mais barato de recuperar: uma mensagem automática lembrando de finalizar antes que expire.
Na mesma fila do caixa, o tráfego que chega pelo anúncio fecha a venda a menos de um terço da taxa do site inteiro. As duas medições convivem — e as duas dizem coisas diferentes.
O público do anúncio chega menos decidido. Quem entra pelo anúncio ainda está conhecendo a loja; quem chega por busca direta, indicação ou redes próprias muitas vezes já vem com intenção de compra.
Parte das vendas do anúncio pode estar fechando sem ser contada. Se o cliente vê no celular e volta depois, em outro dia ou aparelho, o sistema de atribuição do Meta pode não ligar os pontos — a venda acontece, mas não entra na conta da campanha.
Sem um teste dedicado não dá pra cravar qual pesa mais. O que dá pra afirmar é o tamanho: no período a loja inteira faturou R$11.981,03; a campanha gastou R$2.678,92 — 22,4% dessa receita — e recebeu o crédito por R$1.234,05, 10,3% dela. A campanha custa mais de um quinto do faturamento da loja e é reconhecida por pouco mais de um décimo.
Os relatórios 1 a 4 trabalhavam com uma estimativa: contar os eventos brutos do pixel e dividir por 2. A tabela abaixo mostra, com transparência, onde essa conta acertou e onde ficou conservadora demais — agora que a loja entrega o número exato.
| Métrica | Estimativa anterior (pixel ÷ 2) |
Número real da plataforma |
O que aconteceu |
|---|---|---|---|
| Checkouts iniciados no site | ~136 | 123 | Acertou Diferença de cerca de 10%, dentro do esperado entre contar evento e contar checkout único. |
| Vendas no site | ~25 | 48 | Corrigido pra cima A estimativa foi conservadora demais: a loja vendeu quase o dobro do que o pixel sugeria. |
| Fila do caixa que paga (checkout → pago) | 18,4% | 39,02% | Corrigido pra cima O site converte mais que o dobro do estimado — abaixo do ideal, mas longe de catastrófico. |
| Cestinha → fila do caixa (site) | ~31,6% | 74,1% | Corrigido pra cima No site real, quem cria carrinho vai pro checkout: esse gargalo do site não existe. |
| Produto → cestinha | ~8,1% | 5,6% | Confirmado (e pior) Problema real e um pouco mais grave do que a estimativa apontava. |
| Ticket médio | R$247,40 | R$249,60 | Confirmado em cheio Pedido típico continua sendo 1 peça: a tese do combo sem desconto vale pra loja inteira. |
Nota de método, pra deixar claro por que os dois números discordam sem que isso seja erro de ninguém: o pixel do anúncio conta eventos (cada disparo do navegador e do servidor, às vezes repetido); a plataforma conta fatos (um carrinho, um pedido, um pagamento confirmado). Para medir o funil do site inteiro, a plataforma é a fonte de verdade. O pixel segue sendo a ferramenta certa para o que é dele: dizer quanto do resultado veio do anúncio especificamente.
A plataforma muda duas coisas e confirma outras três. O resultado é um plano mais afiado: menos reforma genérica, mais alvo cirúrgico.
Foco direto em dois pontos já identificados: a passagem entrega → pagamento (onde mais gente desiste, −27,6%) e a recuperação dos 10 pedidos criados e nunca pagos — mensagem automática por WhatsApp ou e-mail lembrando de finalizar o Pix ou boleto antes que expire.
Como o gargalo carrinho → checkout no site não existe mais (74,1%, acima do esperado), sobra fôlego pra atacar o ponto que realmente trava: convencer quem já está olhando o produto a colocar ele na cestinha — hoje só 5,6%.
O número real (R$249,60, 1,46 unidade por pedido) confirma em cima de 48 vendas — não mais só 4 — que o combo sem desconto é um problema estrutural da loja inteira. Colocar um desconto real no combo de 2 peças ganha urgência.
Pausar os anúncios fracos, corrigir a idade do público de Recife, montar os públicos de remarketing, consolidar os conjuntos. Nenhuma delas depende do número que a plataforma corrigiu — ela só confirma que o problema de mídia não é o item mais urgente da lista.